Teria conquistado mais 90 minutos completos na sua última época.
Rui Costa merecia, queria certamente, jogar todos os 90 minutos que ainda conseguisse, portanto é um crime tirar-lhe cinco por causa de um “costume”: substituir um jogador para receber a ovação da noite.
Rui Costa com 14 anos, num pelado contra o Sporting
É esse o “costume” que se aplica quando um jogador decide um jogo, quando é a estrela da noite: recebe os aplausos e vai descansar porque, feitas as contas, seria bom que jogasse assim outra vez já no próximo jogo.
Mas…
Rui Costa com 19 anos, na Taça dos Campeões contra o Arsenal
Mas numa ocasião como esta!? Não se está a celebrar uma prestação ocasional, mas sim uma carreira excepcional. É que para nem haver discussão combinava-se uma lesão com o Di Maria para esgotar as subsituições e levar o Maestro a conquistar mais 90 completos.
Rui Costa com 29 anos, a marcar em Itália pela Fiorentina
E nada seria mais marcante do que aquele apito assinalar o final de uma carreira brilhante, em vez de apenas o final de um jogo qualquer, um jogo que apenas durou 5 minutos pois apenas começou depois de terminado o outro, o jogo de despedida do Maestro, única razão que levou ao estádio tantas pessoas.
Rui Costa com 32 anos, no Europeu a marcar à Inglaterra
Essas pessoas merceriam também a oportunidade da maior ovação colectiva das suas vidas. Um ovação que não estaria terminada antes de se esgotar a vontade de cada um dos milhares presentes. Não haveria um árbitro com vontade de reatar o jogo. Não haveria jogo para reatar. Apenas uma despedida da dimensão do respeito.
Rui Costa com 36 anos, a sorrir pelo Benfica frente ao Paços de Ferreira



Um homem sabe que está a ficar velho quando de repente dá conta que é mais velho do que qualquer jogador do Benfica.