Percebo muito pouco de política e, provavelmente por essa razão, a leitura que faço das notícias é sempre um pouco enviesada. O que sei é que sinto um calafrio ao ver a alegria sincera das pessoas em festa. E não posso deixar de pensar que o dia de amanhã lhes reserva algo diferente daquilo que expressam com humildade e motivação nas entrevistas ao enviado especial da RTP.

Amanhã: uma pequena zanga numa fila de mercearia, onde, por azar, um é sérvio e outro não. Seguem-se as ofensas e mais tarde uma pequena zaragata. Mais tarde alguém puxa de uma faca e o sangue corre. A notícia também corre, amplifica-se e reverbera. Estala o conflito étnico latente, os franco-atiradores entrincheiram-se para disparar dos edifícios, a Sérvia intervém e é novamente bombardeada com urânio enraivecido. Finalmente chegam as missões de paz e as bases “americanas” na zona.
Mais estranho ainda é ver as pessoas a agitar ingenuamente a bandeira americana, francesas, italiana. Quando estes países apoiam (ou ignoram) uma independência, quando tomam partido num conflito, há sempre interesses envolvidos. Mas quais serão os interesses neste caso? Cercar a Europa com mais bases americanas? Controlar uma qualquer passagem de energia? Petróleo, gás natural? Procriar mais um foco de instabilidade e fanatismo para disseminar o terror dentro da própria Europa?
Ui. Não temo o pior pois há mais de 4 anos que sei que o pior da Europa está ainda para vir e começa precisamente ali.



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