
A Wired lançou um portal dedicado a how-to’s (mais um) sobre a plataforma media wiki, a mesma que está por trás da wikipedia. Visitei e experimentei o “serviço” e podia simplesmente ignorá-lo, mas não posso deixar de fazer algumas notas acerca da escolha e implementação de um wiki desta maneira.
Depois de uma breve visita não fica muito para dizer, nem grandes razões para voltar. É mais um how-to comunitário mas desta feita sob o chapéu de chuva da wired, que nem é completamente generalista, dos os seus tiques metro-geek-elitistas, nem é verdadeiramente especialista, talvez por razões de mercado. Longe vão os tempos em que na wired se encontravam tutoriais úteis sobre a web que se estava a fazer. Agora parece querer re-alinhar-se com a web 2.0, mas de uma forma um pouco inconsistente.
O design do wiki está interessante mas à Wired pedia-se algo de espectacular. E não é. O template apenas aplica um estilo básico azul por cima do mediawiki. Depois temos as carradas de banners e mrecs.
Só os utilizadores registados podem editar as páginas, o que não pode ser mais contrário à filosofia dos wikis. Caso para dizer que se pretendiam restringir o acesso deveriam ter optado por outra plataforma, uma que valorize a conta do utilizador, o seu perfil, a sua rede social, a sua lista de contribuições e favoritos.
O mediawiki não faz isso out-of-the-box. Mas valoriza a facilidade de contribuir, adicionar e corrigir conteúdos, a sua organização semântica. E até aqui a Wired falha, não tirando proveito das capacidades do wiki: nem taxonomia, tags ou categorias, nem templates associativos, nem sistema de orientação, nem sequer uma política de links internos.
Este desfasamento entre problemas/soluções ocorre frequentemente nos dias que correm. Na febre de apanhar o comboio da web-social muitos projectos adoptam ferramentas, plataformas e padrões mal adjustados ao objectivos. Isto quando os objectivos
vão além do “temos que apanhar o comboio custe o que custar”.
Tal como noutras áreas da vida, existe uma clivagem entre o potencial tecnológico, a sua evolução a nível de aplicações state-of-the-art, e capacidade para compreender esse potencial e o aplicar por parte da grande maioria dos empreendedores. E com a eminente afirmação de novas (velhas) ideias e tendências latentes, como a web-semântica e a realidade virtual, este gap só terá tendência para crescer.



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