Geek not geek

Nos últimos 2 ou 3 anos a maioria das pessoas mudou a forma como usa a internet. Mas se perguntarmos por aí o que mudou, a resposta é invariavelmente YouTube. Ou seja, a maior parte das pessoas ainda usa a Internet da forma clássica: “busca & leitura”, que hoje em dia é mais tipo “search & play”. Poucos vão mais longe do que isso. Quase ninguém atravessa a fronteira que separa a passividade da interacção.

É verdade que alguns daqueles que há 4 anos me perguntaram se havia cura para o blog que eu tinha, já têm hoje o seu próprio cantinho na net. Mas a esmagadora maioria continua no modelo antigo sem sequer largar um comentário nos blogs alheios.

Não acredito que existam muitos utilizadores em Portugal que se apercebam do que se está realmente a passar e o que me assusta é ver a clivagem a crescer.

Quantos se organizam com um agregador de feeds, quantos sabem sequer o que isso é e quantos abrem ainda o google ou os favoritos para navegar aleatoriamente pelos blogs “que costumam ler”?

Ser geek implica uma experiência e um modo de vida que não se partilha facilmente com quem não está a acompanha a evolução deste meio. Implica que o modelo do comando remoto, em que apenas clicamos para mudar de canal, é um velho hábito que de nada dos serve. Implica que para lá dos complexos que inibem as pessoas de se conectarem com o desconhecido existe, de facto, uma outra web.

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